Por que saber que algo faz mal nem sempre é suficiente?
Muitas pessoas acreditam que mudariam se tivessem mais informação, disciplina ou força de vontade. Em alguns casos, isso ajuda. Em outros, porém, o conhecimento consciente não consegue interromper um padrão que parece ter vida própria.
A pessoa sabe que uma relação a machuca, que um comportamento está destruindo suas finanças, que uma escolha compromete sua saúde ou que determinada atitude afasta pessoas importantes. Mesmo assim, continua repetindo.
A Psicanálise considera que parte dessa repetição pode estar ligada a conflitos, desejos, medos e formas de satisfação que não estão totalmente conscientes.
O papel do inconsciente na repetição
O inconsciente influencia a maneira como interpretamos situações, escolhemos vínculos, reagimos a oportunidades e lidamos com frustrações.
Uma pessoa pode desejar conscientemente construir uma relação saudável, mas sentir atração repetida por parceiros indisponíveis. Pode querer crescer profissionalmente, mas abandonar projetos quando começa a se aproximar do sucesso.
Nesses casos, a repetição pode recriar uma experiência conhecida, ainda que dolorosa. O conhecido pode parecer mais seguro do que o novo, porque o novo exige mudanças de identidade, de vínculos e de formas de se proteger.
O familiar
Mesmo quando causa sofrimento, um padrão conhecido pode parecer menos ameaçador do que o desconhecido.
A proteção
Alguns comportamentos protegem a pessoa de medos, riscos ou sentimentos que ela evita enfrentar.
A identidade
Mudar pode exigir abandonar uma imagem antiga de si mesma e assumir novas responsabilidades.
A satisfação
Um comportamento pode produzir alívio ou satisfação momentânea, apesar das consequências posteriores.
O que são ganhos secundários?
Ganho secundário é uma expressão usada para descrever benefícios indiretos que uma pessoa pode obter a partir de um sintoma, problema ou comportamento, mesmo sem perceber claramente.
Isso não significa que ela esteja fingindo ou escolhendo conscientemente sofrer. Significa apenas que o problema pode desempenhar alguma função.
- Evitar uma decisão difícil.
- Receber cuidado ou atenção.
- Manter uma relação que seria ameaçada pela mudança.
- Proteger-se do risco de fracassar.
- Proteger-se também do risco de dar certo.
- Evitar assumir uma nova posição na família ou no trabalho.
Quando o comportamento perde essa função ou quando a pessoa desenvolve outras formas de lidar com o conflito, a mudança pode se tornar mais possível.